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HOJE

Álvaro Dâmaso

ESTABILIDADE, SUSTENTABILIDADE,CRESCIMENTO

I
RETALHOS DA REALIDADE

Poderia acrescentar outras três palavras: integridade, verdade e reconhecimento.
Deixo, neste início, ao leitor, um desafio inicial: elaborar a seleção das três palavras que faltam para completar o tríodo globalmente compreensivo e atual.
Porventura, serãoas palavras que compõem o título do presente trabalho as que mais se repetiam nas mensagens orais e nos escritos publicados nestes dias de ampla e profundaincerteza quanto ao rumo económico que o País seguirá, depois de 18 de maio próximo, ou quanto ao que o mundo assumirá depois do passado dia 2 de abril, o dia em que os Estados Unidos se afastaram do mundo porque querem ser ricos outra vez.
Estabilidade política, social e económica. Sustentabilidade ambiental, conservação dos recursos e da natureza.Crescimento rápido,equilibrado, corporativo.
As famílias, os Estados Nação e as empresas são os três eixos racionais: o Estado manda, as famílias obedecem e as empresas ocupam-se do crescimento. Todavia não existem Estados perfeitos; as famílias revoltam-se, com facilidade se dizimam e empobrecem ou enriquecem;as empresas caem na falência e a natureza, para além daaceleração de redução da sua capacidadeque o ser humano lhe induz, também a si própriase destrói.
O planeta Terra tem um fim que a ciência ainda não conseguiu determinar, masé cientificamente admitido.O ser humano tem um período de vida curto. Nada dura para sempre.No mundo tudo tem fim e em regra a maldade sobrepõe-se à bondade. A este propósito, Aristóteles escreveu uma frase que é conhecida: "se queres fazer de uma criança um homem bom, fá-lo cidadão de uma cidade onde as leis sejam boas".Completando eu, se me é permitidoapós a enormidade de tempo decorrido e da diferença de capacidades intelectuais, acrescento "e os tribunais sejam independentes e justos".

II
A AMBIÇÃO AMERICANA POR UMA NOVA ORDEM INTERNACIONAL

Hoje, deparamo-nos com uma crise política global sustentada por uma inversão de valores universais.
Antes eram o pensamento político, as ideias e os objetivos, os programas e os projetos que determinavam as grandes opçõesde governação, o futuro das famílias.
Neste tempo,são as ideias económicasque são suscetíveis de ponderação e aceitação.Nem sequer sãoinovadoras e o futuro que elas definem em busca do crescimento económico e do domínio internacional não é corporativo nem tende para a igualdade. São impossíveis de vencer quando sustentadaspor volumosos stocks financeiros acumulados, tecnologia produtiva de ponta, volumosa riqueza nacional anualmente produzida, tudo combinado com vasto arsenal nuclear.
Os Estados Unidos são hoje uma superpotência mundial.Podemos dizer que, para já, não tem rival e quer-se libertar o mais rapidamente possívelda pressão e dos encargos sem compensaçãode quantos daquela Nação e da sua economia precisam para sobreviverem: os imigrantes que aos milhares surgem no seu território; as organizações internacionais que dependem dos seus apoios financeiros, as economias internacionais que necessitam do seu mercado interno americano para colocaram os produtos fabricadospela sua indústria.
Os Estados Unidos demonstram claramente querem interferir nos negócios do Mundo, porventura, introduzir progressivamente uma nova ordeminternacional que não será propriamente a pax americana, mas o domínio americano para "fazer a América rica outra vez", como declarou o seu Presidente, na passada quarta-feira, ao pôr do Sol.

III
EU SOUA LEI

Hoje, nos Estados Unidos, a "lei" é uma ordem executiva que o Presidente dos Estados Unidos assina e exibe perante as câmaras da TV. É, sem dúvida,um verdadeiro autocrata eleito.Afirma, sem hesitar,que concorrerá a um "terceiro mandato"embora a Constituição o proíba.
No passado dia 2 de abril, que ele próprio batizou como sendo o "Dia da Libertação", declarou a penalização aduaneira concebida para punir o resto do mundo que tem espoliado e empobrecido a grande Nação americana.
Curiosamente, no dia 3 de abril do ano de 1948, o presidente norte-americano Harry Truman subscrevia e tornava público o internacionalmente relevante Plano Marshall, elaborado e aprovado para reconstruir a Europa Ocidental que a II Guerra Mundial praticamente arrasara. O apoio inicial de cinco mil milhões de dólares foi repartido por 16 países europeus; cerca de 3 anos depois atingia o montante de treze mil milhões de dólares que, ao valor de mercado de hoje da moeda norte-americana,ultrapassa os cento e cinquenta mil milhões.
Ninguémrecordou ou denunciou o facto a Donald Trump -que tem uma visão da História muito particular - admissivelmente para que ele não elevasse o valor das tarifas dos produtosexportadas pela Europa e comercializados no território dos Estados Unidos.
Segundo uma publicação que Donald Trump exibiu bem alto e cujo título constante de uma capa bem desenhada é Foreign Trade Barriers - ou seja, traduzido à letra,Barreiras ao Comércio Exterior - elucida bem sobre o número de anos que o relacionamento comercial internacional regrediu.
"O aumento tarifário planeado marca um ponto de viragem e é um ataque frontal à ordem económica mundial baseada em regras"; põe em risco o desenvolvimento económico global.São comentários de todos os visados pelas "barreiras protecionistas".
As importações oriundas da União Europeia serão taxadas transversalmente a 20% e, também ao que se lê e ouve, a partir da meia-noite do dia 2 do corrente, entrou em vigor uma tarifa de 25% sobre os automóveis.
Trump está, assim, a minar quase 80 anos de multilateralismo", comentou Mark Rutte e tornou público que nos primeiros três meses do ano, os países da NATO comprometeram-se com mais de 20.000 milhões de euros em apoio militar para a Ucrânia.
A China foi muito contundente: instou os Estados Unidos a cancelar de imediatoas taxas unilaterais e a resolverem as disputas com os seus parceiros comerciais através de um diálogo justo.
Para alguns especialistas a negociação com os Estados Unidos é a melhor arma. De um modo geral "Se a UE negociar tarifas completamente recíprocas com os EUA, e Trump estiver disposto a reduzir as tarifas de acordo, a criação de valor alemã aumentaria, comenta-se na Alemanha.
Ainda ouviremos Donald Trump declarar, plagiando Putin, que não se trata de uma guerra comercial, mas de um exercício protecionista especial. AD

 

 

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