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O cardápio das taxas para todos

A União Europeia (UE) e o resto do mundo foram - agora preto no branco - alvo das taxas aduaneiras de Trump, apresentadas como a varinha de condão que promete tornar ricos todos os americanos. No caso da Europa comunitária, a generalidade das importações, à entrada nos EUA, vão ser taxadas em 20% e os automóveis em 25% e para dar a entender que não foi à toa, foi posta a circular a fórmula em que se baseou a sua aplicação, país a país: a base do cálculo recai sobre o saldo comercial entre os EUA e cada país. Segundo o documento publicado pelo Departamento do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a fórmula divide o excedente comercial de um país com os EUA pelas suas exportações totais para o mercado americano. O resultado é então reduzido para metade, originando a chamada "taxa descontada" de tarifa. Há já quem apelide a fórmula de "esquizofrénica", no mínimo, vai ter como consequência a mais do que provável escalada da guerra comercial, de onde nenhum país vai sair ileso. No caso europeu, a história contada do lado de cá (que, pelos vistos, não é corroborada pelos norte-americanos), resume-se no seguinte: a balança comercial com os EUA em matéria de bens pende a nosso favor; mas em matéria de serviços (nomeadamente os digitais) pende a favor dos EUA, pelo que o saldo dos dois é a nosso favor em cerca de 50 mil milhões de euros. A serem verdade estes números, não é aceitável que por causa de 50 mil milhões os EUA não se sentem à mesa com a União Europeia e encontrem uma solução. Assim não sendo, o que se perspetiva no horizonte não é bom, considerando que é possível à Europa retaliar, lançando mão do chamado "instrumento anti-coerção" que é a nova "arma" da UE para proteger e combater ameaças económicas e as restrições comerciais desleais de países terceiros. Se isso acontecer, a escalada será inevitável. Particularmente em relação aos Açores o que é que nos vai tocar? As nossas exportações dirigem-se quase todas ao mercado da saudade e respeitam, sobretudo, os derivados do leite (queijos, etc.) e, agora, com algum significado, os vinhos. Se for verdade que vão ser abrangidos por taxas de 20% (e não os anunciados 200% sobre os vinhos) estamos convencidos que não será por aí que os valores, já se si altos, como aqueles produtos são comercializados nos EUA, não seja possível encaixar a taxa ou fazê-la repartir entre quem exporta e quem importa. Outros efeitos se poderão gerar se a inflação se instalar nos EUA a partir da alta geral de preços. O efeito imediato esperado será a contenção do mercado... até ver onde param as modas e esperar que o bom senso de ambos os lados impere e se sentem à mesa das negociações.

 

Editorial
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