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Aficionados da Nossa Terra: Donato Parreira

Por. José Paulo Lima*

Intensidade e Paixão Taurina

Fotos de Paulo Gil

Foto1: Donato Parreira entre as suas paixões: a maior CAJAF e o Sport Lisboa e Benfica


Foto 2 No pequeno espaço onde alberga 5 peças de taxidermia de toiros bravos.


Foto3: A relíquia que possui do toiro 264.


Foto4: Conversa de toiros para o DI.


Foto 5: A nova aquisição para o pequeno espaço: peça taxidérmica do toiro 216, lidado na Ilha Graciosa em 2024.


Foto 6: Elucidando-nos sobre cada animal ali presente.

A tauromaquia e em especial a tourada à corda é um fenómeno do povo, entranhado naquilo que é muitas vezes a personalidade de alguns ande por onde se ande. Luís Capucha Professor Catedrático do ISCTE, afirma que "Na Ilha Terceira a tourada à corda é uma coisa séria. Pelos toiros se é da Terceira, com os toiros se cresce, a uma ganaderia se adere como símbolo de pertença, nos toiros se namora, se fazem e desfazem casamentos, nos toiros todos se divertem. Tudo parece passar pelos toiros e por isso tudo para para vê-los passar". Tal consideração assertiva define muito bem algo do que se passa pela comunidade terceirense, em alguns casos esbatida pelo corrupio e intensidade dos tempos de hoje, mas de uma atualidade premente que marca todos de uma forma ou de outra.
Há figuras, ligadas à festa brava, que ninguém fica indiferente! Uns gostando e a outros incomodando tudo dentro de um ritmo que as redes sociais catapultaram para a critica positiva ou negativa de todos. Não chamaríamos ícones, com medo de ser ofensivos, mas sem dúvida é que são peças de um puzzleque ano após ano se vai construindo e montando, temporada após temporada.
Homem de múltiplas funções, com ampla repercussão social que até já atingiu a televisão nacional, Donato Francisco Miranda Parreira, ou simplesmente Donato Parreira, é sobejamente conhecido de todos, um jovem de1992.Encontramo-lo na sua pequena tertúlia no final da Procissão de Penitência da Paróquia de S. Pedro da Ribeirinha, onde exerce como católico praticante e é do ponto mais alto desta freguesia onde mora e se dá a conhecer, já há uns anos, nos palcos do Carnaval Terceirense.A famaprincipalvem pela paixão pela festa brava e pela estridência com que defende a "sua"Casa Agrícola José Albino Fernandes. É desta casa de bravo que fala com total eloquência alicerçando o seu gosto, na preferência veiculada pelo seu pai. Rapaz ao qual ninguém fica indiferente, move-se pela paixão que sente pela casa Albino, um autêntico fenómeno de apego e afeto que se nota pela sua expressão falada e gestual... No seu pequeno canto no rés-do-chão da casa de seus pais exibe orgulhosamente  5 peças taxidérmicas de cinco toiros Albino, dois dos quais de relevância absoluta para aquilo que é a tradição histórica das touradas à corda na Ilha Terceira. Falamos do 168 e 264, dois toiros que marcaram época pelos nossos arraiais e que certamente muitos gostariam de as deter. Proclama alto que a peça dissecada do 264, chegou à Serra da Ribeirinha pela módica quantia de 100 contos há 26 anos, adquirido ao antigo maioral António Henrique Silva e que dali nunca mais sairá... ou melhor dito apenas o fará pelo pedido expresso da ganadera Fátima Fernandes, para estar como peça decorativa no espaço onde ocorrerá o jantar comemorativo do centenário de nascimento de José Albino Fernandes no Clube de Golfe da Ilha Terceira. É com graça e exuberância, que Donato Parreira refere que o bravo 264 ainda continua a provocar a colhidas: Exemplo disso foi a experimentada por um técnico de telecomunicações que, de outro partido taurino certamente, se referiu de forma jocosa à representação taxidérmica dos animais ali presentes, não se livrando posteriormente de uma valente pancada quando se erguia ao terminar o serviço que permitiu a ligação do canal espanhol OneToroTv na casa deste aficionado... Para Donato, este episódio, foi um regalo quando aconteceu.Devo afirmar em abono da verdade, que eu próprio também fui "colhido"quando me levantava após a conversa pelo bravo 264, que na Fonte da Ribeirinha no ano de 1987, desatou paixões pelo seu extraordinário desempenho.
A opinião firme e marcante, como ele próprio afirma, advém-lhe por ser um indefetível de toiros como o 314, principalmente 324, 342 e mais recentemente o 280 e o 117, que pelos desempenhos no caminho o marcaram de forma intrincada. Como não foi muito de omitir opinião e nunca se recatou a quem o manifestou, há quem o admire por isso e muitos que o olhem de forma jocosa. Já foi júri de alguns concursos de ganadarias, quase sempre com episódios que recorda e que fazem parte da sua forma de ser e de viver. O toiro que mais o marcou, ainda miúdo, foi o 324, pelos seus desempenhos na Vila Nova, S. Bento e Porto Judeu, tardes de êxito onde pela sua nobreza e qualidade de investidas o marcam como a grande referência. Desengane-se quem pensa que só de toiros Albino vive este homem! Quase que o faz, diga-se, mas o imponente sardo, bragado, listão com o número 3, famoso pelas inúmeras cordas que deu, do ganadero Humberto Filipe é o animal que mais o emocionou doutras casas de bravo. Também o 52 do criador das Cinco Ribeiras merece referência.
É impossível não ouvi-lo falar do toiro 38, conhecido como Elisa, nas palavras dele, o exotismo deste animal, o repentismo e o rebuliço que causava marcam-no como aficionado seguidor das touradas à corda.
 São muitas as histórias de exuberância de Donato Parreira, que extravasam até o bom senso! Quando um toiro da casa que apoia sai bem, todos o veem alegre, a verbalizar e gesticular essa mesma alegria, e na sua opinião faz falta que os adeptos das ganaderias se vinculem mais com o jogo dos animais das casas de bravo que apoiam, à semelhança dos relatos que se via no passado. Esta versão mais desinteressada e menos polémica dos aficionados atuais pode ser prejudicial à festa de toiros popular da Ilha Terceira, na opinião do Donato.
Atualmente afirma que o 117 é o melhor toiro a percorrer os nossos arraiais, fá-lo com exuberância e ímpeto. É um bovino que na opinião do ribeirinhense, transmite perigo e emoção e os dias em que este animal saiu no Porto Judeu e no Cabo da Praia, foram dos melhores do ano de 2024 para Donato Parreira. Exalta a capacidade que demonstrou o capinhaZézé Silva, para fazer frente a este toiro no Cabo da Praia
O gosto pela festa de toiros deste jovem é vivida com muita intensidade, afirma que é uma parte da sua felicidade e é de peito aberto que agradece o legado que a família de José Albino Fernandes, foi capaz de manter e potenciar. Costuma dizer-se que ser ganadero na ilha é uma forma de altruísmo pois os seus proprietários partilham a posse de uma exploração de gado bovino bravo com a paixão de milhares. Donato Parreira valoriza a capacidade de resiliência e superação da família destacando o trabalho efetuado pelo representante da mesma, António Ferreira, individuo por quem nutre respeito e admiração.
Engane-se quem ache que a forma de ver a tauromaquia por Donato Parreira se cinge apenas pela tourada à corda, é frequente na Feira Taurina de Olivença na raia espanhola, vibrando com a corrida integral e com as figuras internacionais do toureio. Fá-lo de forma individual sem falar uma única palavra em castelhano, levando com ele outros aficionados, alguns dos quais com afeiçõesganaderas bastante distintas de Donato Parreira.
Falar com o Donato da Ribeirinha é perceber que o toiro está constante na sua vida, é lavrador de profissão vivendo dos bovinos e usando-o como o seu principal divertimento. Vinha penitente de uma procissão na sua freguesia, mas a verdade é que a sua exuberância, o seu gosto arraigado e a sua afeição pela casa Albino aqueceram uma conversa que trazemos, em pequenos extratos aos leitores. Paixões e sobretudo opiniões respeitam-se, concorde-se ou não com elas!

 

*Médico Veterinário
Doutor em Produção animal
jprplima@gmail.com

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