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Emanuel Areias

A voz da maioria silenciosa na Praia da Vitória

O conceito de "maioria silenciosa" remonta a passados longínquos dos primórdios da democracia portuguesa e diz muito da posição política da generalidade das pessoas. Na década de 70, a rua era controlada pela extrema-esquerda e pelo comunismo, fazendo-se sobressair ímpetos radicais e atitudes pouco civilizadas. A maioria dos portugueses de então não acompanhava o sobressalto permanente e a loucura coletiva da esquerda, afastando-se, com recato da destruição em curso do país e parecendo não existir. Mas existiam e queriam que o trabalho duro fosse feito para que a estabilidade perdurasse e o desígnio da democracia moderada e de tipo ocidental triunfasse. 
Ontem como hoje, a maioria silenciosa não fala, não grita e não se dispõe a aparecer para defender aquilo em que acredita porque haverá de vir o tempo do voto onde tudo, no fim, se decide. O país e os Açores são terras de maiorias silenciosas que se entretêm, em casa, a ver minorias ruidosas a falar mal e a deitar abaixo quem faz. Acabam, todavia, por dar mostras de que se preocupam, de que sabem ver a verdade das coisas e de que não abdicam de participar com civismo na construção da sua terra. Foi assim em 2015 quando, depois de uma legislatura muito exigente, a coligação PSD/CDS-PP venceu as eleições nacionais. Depois de quatro anos de ausência de paz social, de crítica severa ao ajustamento forçado do país, de ataque pessoal aos governantes, de união das esquerdas e de desavindos dos partidos do governo em congressos ou de manifestações e cantigas de fervor crítico, a coligação PSD/CDS-PP ganhou.
A tal maioria silenciosa votou porque estava ciente das dificuldades que o país passava e tinham escutado, em 2011, as palavras do Primeiro-Ministro no dia da sua posse onde rejeitara "otimismos vazios" ao dizer: "Somos e seremos semprerealistas. No entanto, o realismo em política não é sinónimo de resignação contemplativa. A resposta realista aos problemas consiste na procura e concretização de soluções, com a consciência de que não existem varinhas de condão que instantaneamente consertam o que durante tantos anos se foi arruinando". Escutaram e interiorizaram, sem se manifestar, sem falar, sem aparecer, sem elogiar, sem dizer mal. E reconheceram, votando.
É o que se passará agora na cidade da Praia da Vitória quando decorrerem as eleições autárquicas deste ano. O executivo camarário PSD/CDS-PP vai a votos depois de horas, dias e meses difíceis. Horas, dias e meses de críticas duras nas redes sociais, na comunicação social e na rua. Horas, dias e meses onde tudo parecia posto em causa e já sem caminho para andar. Sem conhecer por dentro as realidades da Câmara Municipal da Praia da Vitória nos tempos que passaram até aqui, destacam-se perceções que, acredito, são as que a maioria silenciosa da população do concelho partilha e, por isso, acabará por reforçar a coligação na eleição deste ano.
Reconhece-se à Câmara Municipal a coragem política, a determinação e a resiliência, sobretudo num tempo em que a política se cinge ao ato de gerir e não de governar. A Câmara Municipal, efetivamente, governou, tomou decisões e teve resultados. Não era um fatalismo manter tudo como estava à boa maneira socialista. Não, a Câmara Municipal do PSD/CDS-PP mudou, ajustou e corrigiu o descalabro de anos e anos de incompetência emá gestão, contando com o apoio do Governo Regional dos Açores - particular destaque, porque é merecido, para a ajuda do Vice-Presidente do Governo, Artur Lima, no domínio, por exemplo, do funcionamento das respostas sociais concelhias e na projeção da cidade com programas como os "Novos Idosos", o "Nascer Mais" ou a reabilitação dos bairros dos norte-americanos.
Enfim, não interessou à Câmara o ruído porque lhe interessava melhorar a sustentabilidade do município e, assim, a vida dos praienses para poder, agora, dar benefícios fiscais, desenvolver projetos culturais, apoiar as instituições sociais, valorizar as festas de freguesia e dar condições ao tecido empresarial. Fazer o difícil, antes, para concretizar um projeto de progresso, agora.
Vânia Ferreira, como Presidente, esteve no olho de furacão e não sucumbiu. Sem experiência política prévia relevante, fez-se presidente no cargo e hoje é a melhor opção de liderança que a Praia da Vitória tem para, desafogadamente, afirmar, a partir de 2026, um projeto de desenvolvimento económico do concelho. Com o apoio indispensáveldo CDS-PP, na pessoa do dedicado e exemplarVice-Presidente Ricky Baptista, e com a presença ao mais alto nível, na Assembleia Municipal,dos prestimosos Deputados Pedro Pinto, Diana Simões e Valdemar Toste, a Câmara Municipal da Praia da Vitória conseguiu, no fundo, lidar com uma herança pesada, gerar equilíbrio orçamental, ajustar as receitas às despesas, reduzir o peso do setor empresarial municipal, reduzir encargos de longo prazo, abater a dívida e pôr termo ao engrossamento da administração pública municipal com boys e girls.
Ninguém cumpre este programa de ajustamento com boas notícias e com sorrisos, gerando-se, muitas vezes, discórdia dentro de portas, desilusão, frustração e possível arrependimento pelo assumir da missão. Agora, que o mais difícil passou e já se começa a trabalhar o futuro da Praia da Vitória, a maioria silenciosa dirá, mais uma vez, presente. Porque sabe que a Câmara Municipal fez o que tinha de ser feito e que, daqui em diante, teremos melhor Praia para viver. E sim, foi por amor à Praia que se trabalhou e se fez o que se fez. 

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