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A Ocupação dos Açores pelos EUA

A conclusão não é nossa mas de um reputado professor jubilado, Cortes Rodrigues, produzida no "Guerra e Paz" (canal Now) da passada terça-feira: Trump pode vir a reivindicar parte dos Açores. O cientista político, antropólogo e ex-diplomata com experiência em relações internacionais, segurança, defesa e geopolítica, ao analisar a rota do Ártico que com o degelo é cada vez mais utilizada por russos em manobras militares e sobretudo pelos chineses com navios comerciais com destino à Europa, afirma que o "olhar" dos norte-americanos sobre a Gronelândia é importante, mas não menos sobre a importância geoestratégica dos Açores. Olhando atentamente para o mapa e lendo notícias recentes de navios russos a atravessar a costa portuguesa se conclui das rotas que seguiram para andarem a cirandar pelo Atlântico: ou vieram pelo Ártico ou entraram pelo Mediterrâneo. Ainda que pela calada, os chineses não escondem o seu interesse no Atlântico, depois de "colonizarem" economicamente todos os países que podem, nomeadamente os africanos, tomarem conta do canal do Panamá (que os americanos pretendem recuperar) e, se pudessem, tomariam "conta" dos Açores, no mínimo, entrariam na gestão dos portos nacionais, como aconteceu na Grécia. Percebe-se agora a "amizade" com a Rússia, porque entre outros negócios vai ser fundamental para a China a rota do Ártico ao longo de toda a extensa costa russa. Neste contexto, os Açores são mais importantes para os EUA do que a Gronelândia à exceção dos minerais raros e isto se nas nossas cinzas vulcânicas não for descoberto bário, por exemplo. A afirmação do Professor Marques Guedes faz todo o sentido e não estranharíamos se Trump, um dia destes, apontar o "canhão" para os Açores, talvez à espera de um qualquer movimento da China ou de pouco provável jogada dos russos. Bom lembrar que a ocupação ds Açores esteve para acontecer pela mão dos ingleses, no contexto da segunda guerra mundial, para estancar as investidas dos alemães no Atlântico. Salazar (reconheçamos, quer queiramos quer não), aos comandos de uma "neutralidade colaborante", livrou-nos ao convencer os súbditos de Sua Majestade de que poderiam usar os Açores como bem lhes aprouvesse desde que invocassem o Tratado entre os dois países. A Inglaterra comprou a ideia e os Açores não foram ocupados. O contexto atual não é o mesmo mas as ameaças são porventura maiores. Se Trump meter na ideia ocupar os Açores será que temos diplomacia à altura para invocar um qualquer tratado? Os argumentos são muitos, mas os atuais políticos norte-americanos não leem livros de História e passaram a olhar a Europa como inimiga, não como aliada.

 

Editorial
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